Bem-vindo viajantes

Bem-vindo viajantes! Esse blog tem como objetivo tornar público algumas questões, reflexões e vivências que tenho tido, daí o nome "Viagens de Paulo Pom". As postagens e discussões desse espaço envolverão os seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, ciclismo e cicloturismo, montanhismo e vivência ao ar livre. Mas viagens por outros mundos também serão feitas...

terça-feira, 16 de março de 2010

BICICLETADA

Como primeira postagem do meu blog, eu gostaria de viajar pela BICICLETADA.


A Bicicletada é um movimento iniciado em 1998 em São Francisco (EUA) e se alastrou para o Brasil, Portugal e, mais recentemente, Mocambique. Foi inspirado na Massa Critica (critical mass), onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. Os principais objetivos da Bicicletada são divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

A Bicicletada, assim como a Massa Crítica, não possui líderes ou estatutos, o que leva a variações de postura e comportamento de acordo com os participantes de cada localidade ou evento, mas se trata de um movimento pacífico. Algumas Bicicletadas apresentam uma forte postura anti-carros, com faixas, cartazes e comportamento que criticam fortemente não só o uso de veículos motorizados como os próprios motoristas.

Algumas Bicicletadas têm se tornado cada vez mais criativas, como a da cidade de São Paulo: já há alguns anos, é visível e crescente a tendência de utilizar bom humor e ações mais duradouras para conquistar os motoristas em vez de confrontá-los, mostrando que a bicicleta é um meio de transporte viável, rápido, saudável e prazeroso, além de passar a mensagem de que os ciclistas têm direito a seu espaço nas ruas. Essa nova postura tem mais receptividade com os motorizados e se torna mais interessante à midia não especializada, resultando em uma exposição maior do movimento e principalmente da idéia da bicicleta como meio de transporte.



O maior mote da Bicicletada é "um carro a menos", usado principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades. (fonte Wikipedia).


Em São Paulo, a Bicicletada é realizada na última sexta-feira de todo mês, com a concentracao da galera se iniciando às 18:00hs na chamada Praça do Ciclista (Av. Paulista com Rua da Consolação) e a saída por volta das 20:00hs. Venha participar e não esqueça de levar o capacete! O ritmo da pedalada é bem tranquila.

A Bicicletada do mês de fevereiro de 2010 ocorreu no dia 26. Inúmeras bicicletas percorreram faixas e faixas de rolamento exclusivamente destinadas a carros. Passamos pelas seguintes localidades, dentre outras: Av. Paulista, Av. Liberdade, Centro da cidade, Rua Augusta. Na Praça da Sé, várias bicicletas giraram em torno do marco zero da grande metrópole. Depois, ocupamos quase que todo Páteo do Colégio, passamos na frente do Ed. Banespa (um dos mais tradicionais da cidade) e cruzamos o Viaduto do Chá. Ainda cruzamos a parte interna da Estação de trem da Luz, evidentemente desmontados das bicicletas e empurrando-as. Depois, seguimos para a Praça da República, passando bem na frente do famoso Ed. Itália, um dos mais altos da cidade. Foi uma grande alegria passear de bicicleta pela região central da cidade, normalmente tão abandonada e esquecida no período da noite.

Mas nada retratou tão bem esse evento quanto o relato de dois assíduos frequentadores da Bicicletadas paulistanas: Evelyn Araripe e Joao Paulo Amaral, um casal de ciclistas, que ja fizeram uma viagem de bicicleta pela Europa, na rota Berlim-Copenhaguen e que se tornaram meus novos amigos e, apesar do pouco contato, passei a admirá-los. A seguir, trago (com a autorização deles) o relato sobre a Bicicletada de Fevereiro de 2010 em São Paulo.

o original do relato (com fotos) pode ser acessado no sitio http://felizcidadefeliz.wordpress.com/2010/03/08/duas-bicicletadas-em-uma/


Obrigado Evelyn e JP.

DUAS BICICLETAS EM UMA
por Evelyn Araripe e Joao Paulo Amaral


Cada Bicicletada é uma Bicicletada. É muito difícil voltar para casa com as mesmas sensações a cada última sexta-feira do mês. Tem Bicicletada que você vai embora cheio de alegria, outras tomada por ódio, algumas por indignação, enfim… nenhuma Bicicletada é igual. Isso é fato. Mas na última – a de fevereiro – aconteceu algo interessante: foram duas Bicicletada em uma.

Estivemos lá e pudemos, cada um de seu jeito, ter uma visão diferente da Bicicletada.


Visão da Praça – por Evelyn:


Se essa Bicicletada de fevereiro tivesse um nome, para mim seria “Bicicletada das lendas” ou melhor “Bicicletada do reencontro”. Fazia muito tempo que não via tanta gente “das antigas” reunidos na Praça do Ciclista. Pessoas que me acolheram desde o primeiro dia em que apareci ali, naquele mesmo lugar. De repente me vi tomada por uma nostalgia, um sentimento de “velhos tempos”. Aquele papo de praça, sempre aprendendo coisas novas e compartilhando as histórias do dia-a-dia. Foi sensacional!

A hora passava e os assuntos eram muitos para sairem simplesmente pedalando à deriva pela Avenida Paulista. A vontade que dava era virar o Miranda – estátua protetora da Praça do Ciclista – e ficar encravada naquele lugar. A massa crítica gritava, as buzinas de bicicletas soavam e os ciclistas começavam a contornar a Praça, ansiosos por ganhar a cidade, a avenida e seguir em frente na esperança de humanizar o trânsito.


Pela primeira vez eu não quis ir com a massa. Quis ficar ali e ganhei forças ao ver que mais gente compartilhava do mesmo sentimento. Não era momento de pedalar, mas era momento de cuidar dos frutos que ali mesmo foram plantados e regados: as amizades. Me lembrou até uma explicação que tivemos uma vez num dos primeiros Pedal Verde: empolgados para sair plantando árvores por toda a cidade, reclamamos quando o pessoal sugeriu um pedal para cuidarmos das mudas que já havíamos plantado. Poxa, esperamos o mês inteiro para pedalar e plantar pela cidade e vêm algumas pessoas sugerir que não plantemos, apenas cuidemos do que já foi plantado???!!!! Simmmmmm… as plantas – e as amizades – precisam de cuidados!

Poderíamos naquela noite ter saído pelas ruas na tentativa de plantar esperanças e alegrias por onde as bicicletas passassem – e acredito que isso aconteceu independente de termos ido com a massa. Mas aquele era o momento de cuidarmos de nós, das nossas amizades e das histórias que construimos desde o dia em que aparecemos ali, na Praça do Ciclista.
A estada na Praça ainda rendeu boas entrevistas e histórias cotidianas para o documentário de uma ciclista chamada Helena, que está se formando em Rádio e TV e resolveu gravar um vídeo com depoimentos de pessoas que usam a bike como meio de transporte em São Paulo. Muita coisa para refletir, muitos momentos para se compartilhar e muita coisa ainda para se viver.

Esse mês tem mais Bicicletada. Última sexta-feira. É impossível saber como ela será, assim como, provavelmente, é impossível ela ser como foi no mês que passou. Só sei que essa última, deu animo, forças e alegrias suficientes para mais um mês encarando essa cidade, para mais uma vez eu lembrar os deliciosos frutos que rendeu esse plantio de amizades na Praça do Ciclista desde que apareci por lá pela primeira vez, em junho de 2008.

Visão da Massa – por JP:


Ultimamente tenho percebido, mais do que nunca na minha vivência em São Paulo, a construção de uma comunidade ciclista crescente nessa paulicéia desvairada. Recebo quase todo dia, no meu trabalho principalmente, perguntas sobre bicicleta, desde qual bike comprar até qual passeio participar. E nesta última pergunta eu sempre respondo: BICICLETADA!

E é a pura verdade. Para quem nunca pedalou em São Paulo, tem medo ou simplesmente está enferrujado. a Bicicletada é o melhor local para começar sua “carreira ciclística”. Foi dessa forma que, enquanto a Evelyn “cuidou das plantas”, eu fui plantar algumas sementes. Sucesso! Trouxe duas colegas de trabalho para a Bicicletada que, após o lindo passeio pelo centro de São Paulo, ficaram deslumbradas com o movimento.
Saí bastante atrasado da Praça em busca da Massa. Liguei para alguns colegas, consegui as coordenadas e pedalei. De repente me deparo com uma galera que ocupava as duas faixas do viaduto da Rua Paraíso. Acompanhei o fluxo até a Rua Vergueiro. Me surpreendi novamente com a quantidade de gente e, quando já não imaginava onde caber mais ciclistas, vejo o início da Massa passando no outro sentido da Rua Vergueiro! Confesso que desci a Avenida Liberdade toda comentando com os colegas ao lado: “A Bicicletada tá bombando hoje!!”
Quando já imaginava estar satisfeito com minhas pedaladas rumo ao centro no meio daquele mar de bicicletas, eis que a Bicicletada também me surpreende pela qualidade… Encontro lá uma amizade antiga, o Antônio, que conhecemos no Caminho da Fé em julho de 2009 e nos acompanhou a pé quando viu nossa situação precária (Evelyn com o braço sangrando e eu com a bike arrebentada). Dali até a Praça da Sé foram pedaladas a base de prosas e relembranças daquela viagem.

A Bicicletada no Centro sempre tem uma magia, uma experiência muio simbólica para mostrar a beleza desconhecida e mal aproveitada de São Paulo. Nunca tinha passado por tantos pontos maravilhosos em uma só Bicicletada: Praça da Sé, Pátio do Colégio, Ladeira Porto Geral, Estação da Luz e Parque da Luz. Fico imaginando como seria participar de tudo isso se fosse minha primeira Bicicletada.

Chegando na Rua Augusta percebi que estavamos chegando ao fim. Deu gostinho de “quero mais”, de querer pedalar a madrugada toda – detalhe: eu e Evelyn íamos pedalando até Sorocaba no dia seguinte. Mas felizmente nas Bicicletadas já está se tornando comum alguns colegas irem para algum restaurante/boteco amigo do ciclista após a pedalada. Me despedi do pessoal que ficou na Praça do Ciclista e fomos em um pequeno grupo para uma pizzaria que costumamos ir com a galera. Chegando lá, me assusto por não ver nenhuma bicicleta na porta.


Logo logo, chego na entrada da pizzaria e me surpreendo novamente! O dono do restaurante já está tão acostumado com nossa visita mensal que deixou colocar todas as bicicletas dentro do restaurante! Que cena espetacular! Comer e beber em um museu de bicicletas! Sem dúvida um ótimo jeito de terminar mais uma Bicicletada. Quero dizer… Duas Bicicletadas em uma!

8 comentários:

  1. Amei!!!!!!!!!!! tomara que a bicicleta consiga sempre mais adeptos. Vou fazer o modelo para camiseta para usar nas minhas pedaladas na cidade de Joinville. Paulo no meu blog postei uma ciclovia de Portugal, veja se puder.
    Vc conheceu o nosso amigo cicloturista Valdo?
    responda via e-mail izaschiochet@gmail.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Marisa, vou te escrever por email. beijos e obrigado por acompanhar o blog

      Excluir
  2. Olá Paulo,

    Parabéns pelo novo blog e obrigado pela menção de nosso post. Fico feliz que os ciclistas podem contar com mais um canal de divulgação desse espetacular meio de vida que é o pedalar!

    Grande abraço,

    JP e Evelyn

    ResponderExcluir
  3. Sem palavras... emocionada com as duas narrativas! Duas bicicletas em uma!!! Lindo!!!

    Sucesso, muita paz e luz a todos!!!

    Beijos!

    **Vanessa**

    ResponderExcluir
  4. Olá Paulo, gosto muito de ler e reler os artigos do seu Blog, vc aborda os diversos assuntos ligados a bicicleta com muita inteligência. Sou praticante do ciclismo, cicloturismo, moutain bike, etc. desde crianças, creio que a solução para a problemática do trânsito das grandes e médias cidades seja realmente o uso da bicicleta como meio de transporte, além dos grandes ganhos à saúde do corpo e da mente, pois pedalar nos dá um grande prazer, nos faz sentir "mais vivos".
    Grande abraço, continue sempre assim.
    Rodrigo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grato Rodrigo pelos elogios, fico feliz que goste dos textos do blog. Grade abraço Paulo

      Excluir