Bem-vindo viajantes

Bem-vindo viajantes! Esse blog tem como objetivo tornar público algumas questões, reflexões e vivências que tenho tido, daí o nome "Viagens de Paulo Pom". As postagens e discussões desse espaço envolverão os seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, ciclismo e cicloturismo, montanhismo e vivência ao ar livre. Mas viagens por outros mundos também serão feitas...

domingo, 11 de dezembro de 2011

AMAZÔNIA: MINHA PRIMEIRA VEZ

Em novembro/2011, estive, pela primeira vez, na Amazônia, participando do Simpósio de Geografia Agrária, em Belém/PA. Foi uma emoção especial, não só por estar na maior floresta tropical do planeta, como também pela oportunidade de entender um pouco mais dos problemas dessa região: desmatamento, grilagem de terra, avanço do agronegócio, trabalho escravo etc.

Eu provei apenas uma pitada dessa terra de contrates, mas gostaria de compartilhar com vocês.



À primeira vista, a Amazônia impressiona pela densa floresta e pelos vários rios sinuosos de tamanhos diversificados (na foto acima, no canto superior esquerdo, se vê a mancha urbana de  Belém/PA).

Acima e abaixo: o Rio Guamá, que beira o campus da 
Universidade Federal do Pará (UFPA).



Alguns dos caminhos dentro da UFPA são em trechos alagáveis (foto abaixo)



A Lua cheia ajudou a iluminar a paisagem do centro 
histórico de Belém (três fotos logo abaixo).





A seguir, se vê a bela Catedral Metropolitana de Belém, cuja construção se iniciou em 1748 e terminou em 1782.



Pelo Simpósio, pude visitar o assentamento "Mártires de Abril", situado na ilha de Mosqueiro, município de Belém/PA, constituído a partir da ocupação da antiga Fazenda Taba, em abril/1999, pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Para mim, um dos pontos altos dessa bela viagem de conhecimento...


As fotos seguintes são do assentamento; abaixo, detalhe de uma das habitações da agrovila.



A antiga Fazenda Taba possuía uma série de irregularidades, como  abandono da plantação de coqueiros, extração irregular de areia e pedra, degradação ambiental e falta de pagamento de salário dos trabalhadores. Com tudo isso, a fazenda não cumpria sua função social, obrigação prevista na Constituição Federal. E o descumprimento da função social da propriedade é o principal argumento que justifica a ocupação da terra pelos movimentos sociais.

Na foto abaixo, é possível ver que a bicicleta é utilizada pelos assentados.


O nome do assentamento (Mártires de Abril) é uma homenagem aos 19 mortos e 69 feridos do massacre ocorrido no município de Eldorado dos Carajás/PA, no dia 17 de abril de 1996, quando dois batalhões da Polícia Militar do Pará abriram fogo contra os trabalhadores sem-terra que haviam bloqueado uma rodovia, em protesto pela reforma agrária. Lembrança daqueles que tombaram na luta por um pedaço de chão e pelo fim da desigualdade social no campo.



O assentamento "Mártires de Abril" foi criado em 2001 e possui apenas 408 ha., com 91 famílias assentadas. O açaí, muito consumido na cidade de Belém, é uma das produções do assentamento. Abaixo, duas crianças, filhas da luta pela terra, saboreiam açaí.



assentamento pratica a agroecologia, que contrapõe ao modelo de agricultura convencional, caracterizada pela maximização da produção e do lucro, pelo uso intensivo do solo, pela monocultura, além da forte mecanização e do uso exacerbado de agrotóxicos. As fotos abaixo foram tiradas no LAPO - Lote Agroecológico de Produção Orgânica. 




A agroecologia visa a produção, levando em conta os aspectos sociais e ambientais. Ela incorpora diversas práticas ecologicamente sustentáveis, integrando os saberes ancestrais com os conhecimentos atuais. Algumas características: não utilização de insumos agrícolas, diversificação de espécies cultivadas, troca de sementes entre os camponeses e uso de repelentes naturais para controle de insetos nocivos aos vegetais.




Na foto acima, o Sr. Mamede Oliveira explica algumas práticas do LAPO: cobertura permanente do solo, conservando as folhagens que caem das árvores que diversificam a produção, adubação verde, defesa natural contra insetos nocivos, etc. Além da plantação de vegetais, há criação de aves, peixes e abelhas.




Acima, grupo de estudantes de inúmeras universidades do país que visitou o assentamento naquele dia. Abaixo, um vídeo muito interessante explicando o LAPO.


Fontes:


- Anotações e entrevistas obtidas na visita de 11 de novembro de 2011. 

ABE, Marlene Naoyo. Mártires de abril: o MST semeando a utopia camponesa. 2004. 199 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Pará, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Belém, 2004. Curso de Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável. Disponível em http://www.repositorio.ufpa.br/jspui/bitstream/2011/1664/1/Dissertacao_MartiresAbril.pdf

MELO JÚNIOR, José Gomes. “As experiências de produção agroecológica em Assentamentos de Reforma Agrária no Estado do Pará, uma identidade da agricultura camponesa impulsionada pelos Movimentos Sociais”. Disponível em http://pt.scribd.com/doc/60327808/Artigo-Junior-agroecologia-em-assentamentos-de

sábado, 10 de dezembro de 2011

CALOI CECI (BICICLETA ANTIGA)

Das moças que acompanham este blog, quantas se lembram do nome abaixo? 

Em suas memórias, se lembram de imagens como essa?



E desse comercial de televisão? 



Sim, a Caloi Ceci, lançada originalmente em 1972, foi objeto de desejo das ciclistas nos anos 70, 80 e 90. Um dia desses, andando pelos corredores da Cidade Universitária, me deparei com um desses modelos antigos (foto abaixo).


A Ceci era um típico modelo de passeio, pneus lisos, muitas vezes sem câmbio e alguns exemplares vieram com cestinhas. Segundo Arturo Alcorta, do sítio eletrônico Escola de Bicicleta (www.escoladebicicleta.com.br), a primeira série da Ceci tinha rodas do tamanho da Caloi 10, mas em 1973 elas passaram para um diâmetro menor, o que atendeu ao público feminino.



Não sei precisar o ano desse modelo (alguém ajuda?), mas a bicicleta me pareceu bem original: pintura, decalques, bagageiro e, até mesmo, o selim de cor branca.


Arturo Alcorta esclarece também que a Ceci ganhou prêmios internacionais e chegou a ser vendida no mercado inglês.  


A foto acima mostra a antiga, mas ainda elegante, Caloi Ceci que flagrei na USP. Interessante é que, enquanto essa bicicleta clássica era ignorada pelos transeuntes, estes apontavam seus olhos curiosos para a minha pessoa. Pude perceber, pela feição de seus rostos, que eles se perguntavam: "Por que alguém se dá ao trabalho de fotografar, minuciosamente, uma bicicleta velha?" Poucos sabem o valor dela...


Acima, o detalhe da originalidade daquela Caloi Ceci. Arturo Alcorta informa que no início dos anos 1990, a Ceci sofreu alterações no quadro e as rodas foram reduzidas para o mesmo diâmetro das "mountain bikes", tirando as características originais do projeto. Por isso, acredito que o modelo que fotografei seja ainda dos anos 1980.

E para quem tem dúvida se é melhor casar ou comprar uma bicicleta, assista e recorde o seguinte comercial: 


Fonte:

- Arturo Alcorta (Escola de Bicicleta)

BICICLOTECA: UM FINAL FELIZ

http://institutomobilidadeverde.wordpress.com/bicicloteca/
A BICICLOTECA é uma bicicleta adaptada pelo ex-morador de rua de SP, Robson Mendonça, para ser uma biblioteca itinerante. Sua caçamba, com capacidade para 150 kg,  transportava 200 livros, que haviam sido doados por uma ONG.

Robson e a Bicicloteca na Praça da Sé, marco zero de São Paulo
Fonte: http://institutomobilidadeverde.wordpress.com/bicicloteca/ 

Robson, que é presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua (Mepesp), circulava pelo centro histórico de São Paulo, emprestando livros a moradores de rua que não podiam fazer cadastro em bibliotecas porque não tinham endereço. Segundo Robson, os empréstimos eram numa média de 180 livros por dia. 

Robson criou o projeto pois, quando era morador de rua, tinha dificuldades de fazer empréstimos de livros em bibliotecas públicas, afinal não tinha endereço fixo. 

No final de setembro de 2011, a Bicicloteca foi furtada no centro da cidade, com todos os livros, além de um gravador de DVD e uma agenda pessoal. Robson havia pedido para um homem tomar conta do veículo para ir a um banheiro próximo dali e, quando voltou, seu veículo havia sumido.

O fato foi comunicado à polícia e cartazes com imagens da Bicicloteca foram espalhados pelo centro. Durante dias e noites, Robson procurou sua bicicleta e foi informado que seu veículo havia sido vendido na cracolândia por R$ 200,00.

Rosbon Mendonça, visivelmente chateado, 
distribui cartazes da Bicicloteca.
Estado SP, 28/set/2011 - C5
A situação comoveu uma editora, que doou dinheiro para Robson comprar uma nova bicicleta adaptada e continuar seu trabalho.

No final de setembro/2011, o Instituto Mobilidade Verde, parceiro da iniciativa, encontrou a Bicicloteca no bairro do Brás, após a denúncia de uma pessoa que acompanhou a história pelos jornais. Os livros, no entanto, haviam sumido.

Veja o vídeo do Reencontro com a Bicicloteca: http://vimeo.com/30050880

A Bicicloteca foi reformada e recebeu a doação de novos livros. Dentre os doadores, destaca-se o Senador Eduardo Suplicy. Depois disso, uma empresa prometeu que compraria mais 10 bicicletas para o projeto ser estendido à outras regiões.


JT, 13/out/2011, p. 9A

Fontes:


"O Estado de S. Paulo", edições de 28/set/2011 (p. C5, Luisa Alcalde), 29/set/2011 (p. C4, reportagem de Luísa Alcalde), 13/out/2011 (p. C8, Lais Cattassini)


"Jornal da Tarde", edições de 13/out/2011 (p. 9A, Lais Cattassini)


Bicicloteca: http://biciclotecas.wordpress.com/


Instituto Mobilidade Verde: http://institutomobilidadeverde.wordpress.com/bicicloteca/