Bem-vindo viajantes

Bem-vindo viajantes! Esse blog tem como objetivo tornar público algumas questões, reflexões e vivências que tenho tido, daí o nome "Viagens de Paulo Pom". As postagens e discussões desse espaço envolverão os seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, ciclismo e cicloturismo, montanhismo e vivência ao ar livre. Mas viagens por outros mundos também serão feitas...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O DIA EM QUE A BICICLETADA OCUPOU TEMPLO BURGUÊS



29/jun./2012
São Paulo/SP

300 bicicletas
ocupam templo da burguesia paulistana:
o Shopping JK









Se eu fosse dono de um jornal, essa seria a manchete da primeira página.

Naquele dia 29/jun./2012, enquanto subia de bicicleta a rua Augusta, do Centro à Av. Paulista, eu estava decidido a não pedalar na bicicletada. Estava cansado, tinha acordado às 5:30 da manhã para jogar bola e trabalhado o dia todo.

Bicicleta antiga dobrável Monark Dobramatic
pertence à Patrícia, da Bicicletada

Chegando na concentração (Pça. do Ciclista - Paulista com Consolação), me deparei com essa bela bicicleta antiga (foto acima), uma Monark Dobramatic, da década de 80, que será tema de postagem própria.

Aos poucos fui contagiado pelo clima da bicicletada, que estava completando 10 anos na cidade. E quando percebi, já estava com a massa, pedalando pela Av. Paulista.

No meio do caminho, encontrei meu amigo Odir, que também é membro do Bike Anjo. Ele me disse que a massa estava indo para o Shopping JK, mais um daqueles empreendimentos de luxo visando o consumo de supérfluos e de futilidades, que reforça ainda mais a abissal desigualdade da nossa sociedade. 


Chegando ao shopping, me deparei novamente com o Odir, que estava parado no meio da rua, junto com outros ciclistas, desviando a massa para uma entrada à direita. Quando passei, ele me olhou com um sorriso zombeteiro e eu não entendi o que estava acontecendo.

Mas logo percebi: eu e mais uma infinidade de ciclistas estávamos descendo a rampa do estacionamento do shopping JK.

No estacionamento do JK só autos de luxo...
... e também a massa crítica de ciclistas.

A bicicletada foi entrando em ritmo de passeio e, sem se intimidar, circulava pelos carros de luxo estacionados. A emoção contagiou a massa: alguns participantes gritavam loucamente, outros riam sem parar; muitos estavam fantasiados, alguns de trajes caipiras; ouvia-se o som de cornetas, de buzinas de caminhão instaladas em bicicletas   e os "blim-blins" das campainhas de guidão; várias fotos eram sacadas; enfim foi uma comoção total, uma histeria.


Os seguranças do empreendimento nada puderam fazer, apenas olhavam sem acreditar.


Os frequentadores do shopping tiravam fotos e se divertiam; ninguém quis sair com seu carro naquele momento.


Fotos acima e abaixo: "Mais bicicletas!! Menos carros!!", tradicional grito da bicicletada. 




Quando sentiu que o recado havia sido dado, a bicicletada foi deixando espontaneamente as dependências daquele centro de consumo. E os seguranças continuavam boquiabertos, só observando...


A rampa de acesso e saída do shopping: 
dessa vez, só para as bicicletas

Esse shopping foi inaugurado irregularmente, pois não concluiu totalmente as obras viárias de desafogamento do trânsito exigidas pela Prefeitura, como a passarela para ligar a ciclovia da Marginal Pinheiros ao Pq. do Povo, além de um viaduto. Ademais, algumas de suas luxuosas lojas foram autuadas pelo Procon; uma delas porque vendia produtos com preço em euro, sem conversão para o real (cretinice, pensam que estão na Europa?). Vejam a matéria no jornal:

O Estado de S. Paulo, C8, 29/jun/2012

E assim, a bicicletada comemorou com honras os seus 10 anos de existência na cidade de S. Paulo.

Bicicletada deixa o templo do consumo burguês


Para saber mais sobre a Bicicletada: 


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CONTRASSENSOS CICLOVIÁRIOS: Mais ciclistas, mais acidentes - diz o Governo de SP


Quem mora em SP deve ter acompanhado a polêmica manchete do Diário Oficial do Estado de SP, em sua edição de 11/jul./2012: "Mais ciclistas, mais acidentes". Não acredita? Veja abaixo:

Veja a notícia na íntegra aqui

Pois é... essa porcaria de manchete serviu para noticiar  uma pesquisa feita pela Secretaria de Saúde sobre o aumento do número de acidentes envolvendo ciclistas. Segundo o estudo, 9 bicicleteiros internados por dia em hospitais públicos estaduais devido a acidentes de trânsito; em 2011, foram 3 mil internados no SUS paulista, a um custo de mais de R$ 3 milhões para os cofres do Estado.

O texto reproduziu a opinião de um médico do Hospital das Clínicas: "Para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo." afirmou o Dr. Jorge dos Santos Silva.

Em conseqüência disso, veio uma enxurrada de críticas e até sátiras, uma delas dizendo: "Mais dentes, mais cáries" (veja aqui).

O Governo de SP percebeu a bobagem e no mesmo dia emitiu uma nota desautorizando a publicação e defendendo a bicicleta como transporte (veja a retratação)

Só que o erro já estava consumado, não é mesmo governador Alckimim?

"O Estado de S. Paulo", p. C6, 14/jul./2012
satiriza o governador tucano Alckimin
O caso é um típico exemplo de distorção de fatos... ou da capacidade de se espremer números para que eles confessem aquilo que o interlocutor deseja.

Em primeiro lugar, a matéria é simplista e contém inúmeros equívocos, como apontou o blog Vá de bike ao provar justamente o contrário: quanto mais ciclistas, menos acidentes.

Minha leitura sobre os dados apresentados na pesquisa é que o Poder Público de SP está falhando no seu dever de oferecer infraestrutura às pessoas que optam pela bicicleta como meio de transporte. E agindo assim, desestimula essa opção não poluente, prejudicando a sociedade como um todo.

Falar que a bicicleta nas ruas faz mal para a sociedade é subverter os dados e eximir o Estado do cumprimento de suas obrigações.

O doutor erra ao conjecturar que o problema pode ser resolvido com a retirada de ciclistas das ruas. É o mesmo caso do marido traído, que pega sua mulher com outro no sofá: para solucionar o seu drama, ele tira o sofá da sala.

Quem propõe a saída de ciclistas das ruas não olha, por exemplo, para os inúmeros anônimos que usam a bicicleta no trabalho. Vejam abaixo esse jovem entregador de pães no centro de SP... A solução é sua saída das ruas?


E o trabalhador abaixo que entrega bebidas? Deve fazer seu ofício com um carro ou moto? A sugestão do doutor, se levada a sério, passaria pelo aumento de motorizados nas ruas.


As inúmeras bicicletas que abastecem de água os escritórios do centro de SP seriam adequadas só para parques, pela  proposta do médico.


Em verdade, o doutor não entende do assunto, até porque se esqueceu do Código de Trânsito, uma lei nacional e atual que estabelece que a bicicleta é um veículo autorizado a circular em vias urbanas e rurais, com preferência sobre os automotores. A lei precisa ser aplicada, é esse o ponto!

Mas o grande problema não foi a pesquisa e nem a sugestão do médico. O erro crasso foi do Governo do Estado, pois ao estampar aquela notícia em seu jornal oficial, se posicionou, pelo menos naquela oportunidade, contra o uso da bicicleta como meio de transporte.

No dia seguinte (12/jul./2012), os jornais noticiavam esse fiasco do Governo Paulista; curiosamente, na mesma data, "O Estado de S. Paulo" publicou que o Judiciário havia aceitado a denúncia do Ministério Público contra o motorista de ônibus que atropelou a ciclista Juliana, em março/2012, na Av. Paulista. Assim, ele vai responder por homicídio culposo (sem intenção), acusado de agir com imprudência ao colocar o ônibus em faixa de tráfego não apropriada e de não manter a distância correta da ciclista, provocando sua queda e seu atropelamento por outro coletivo.

Vejam só... se o motorista tivesse obedecido a lei, Juliana estava viva (para lembrar da Juliana, clique aqui). A cidade é perigosa ou são os motorizados que são imprudentes? 

Propor que ciclistas saiam das ruas, é o mesmo que tirar o sofá da sala, dentre outras ideias esdrúxulas. A solução envolve melhorias físicas nas ruas e, principalmente, respeito a uma lei que traz regras simples de prudência. O Estado tem papel fundamental nisso, mas as ações do Governo de SP (sob a batuta tucana) e da Prefeitura da capital (sob o comando do elitista Kassab) tem sido fracas perto da demanda e das necessidades atuais.


Mais sobre esse assunto, leia na Carta Capital. E sobre pedalar nas ruas, veja aqui a entrevista que forneci para a Rede TV!.


* CONTRASSENSOS CICLOVIÁRIOS é a nova seção desse blog, que trará notícias sobre os fatos inusitados, ridículos e absurdos que contrariam a tendência mundial e também da nossa lei (Código de Trânsito) de olhar a bicicleta como um meio de transporte.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BICICLETAS ANTIGAS CALOI

CALOI ARCO DUPLO 1976

Em razão do sucesso da seção sobre "Bicicletas Antigas", muitas pessoas vêem me escrevendo para publicar fotos de sua clássica aqui no blog. Tenho uma longa lista de pendência e aos poucos vou publicando as colaborações dos amigos. 

Nesta postagem, trago algumas fotos gentilmente enviadas pelo leitor Paulo Henrique, de Uberaba/MG (paulox01@hotmail.com).

A primeira bicicleta é uma Caloi Arco Duplo, 1976. 

Antes da restauração
Foto de Paulo Henrique - Uberaba/MG


Antes da restauração
Foto de Paulo Henrique - Uberaba/MG


Aliás, vejam o comercial dessa bicicleta, da década de 1970:



O comercial abaixo, de 1976, é mais engraçado:


Abaixo a foto da Caloi Arco Duplo comprada pelo Paulo Henrique, em 1976, nas antigas "Lojas Arapuã" e que foi restaurada: 

Caloi Arco Duplo restaurada
Foto de Paulo Henrique - Uberaba/MG

CALOI BARRA FORTE 1979

Essa bela Caloi Barra Forte também pertence ao Paulo Henrique e foi restaurada a partir de um quadro que ele ganhou: 

Caloi Barra Forte
Foto de Paulo Henrique - Uberaba/MG

CALOI BERLINETA 1972

A Caloi Berlineta da foto abaixo, ano 1972, era também do nosso colega Paulo Henrique e foi vendida após a restauração. 


Caloi Berlineta
Foto de Paulo Henrique - Uberaba/MG

Ela tem uma história curiosa. O Paulo Henrique fez amizade com um agente público de prevenção do mosquito da dengue, que entrava em várias residências para exercer seu ofício. Certa vez, o agente disse para o Paulo Henrique que se encontrasse uma alguma bicicleta abandonada nos quintais das casas, o avisaria. E fui graças a uma dica do agende da dengue que nosso colega adquiriu e posteriormente restaurou essa Caloi Berlineta. 

E para quem gostou desse modelo de bicicleta, segue abaixo um rápido vídeo (animação de fotos) de restauração de uma Caloi Berlineta:



As bicicletas do Paulo Henrique estiveram foram expostas juntamente com outras clássicas no aniversário de 191 anos da cidade de Uberaba:

Foto de Paulo Henrique - Uberaba/MG

CALOI 10 - 1971

A Caloi 10 abaixo foi encontrada por acaso numa rua por outro leitor desse blog, o Leo. Segundo nosso colega, o dono (um senhor) lhe informou que a bicicleta é de 1971 e foi submetida a uma reforma há muito tempo. 




E para terminar, o velho comercial do filho pedindo para o pai não esquecer de sua Caloi:




Veja também:

Diversas bicicletas antigas, incluindo uma Caloi Berlineta 1987:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2011/06/bicicletas-antigas-diversas.html

Caloi 15 - 1979:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2012/04/bicicleta-antiga-caloi-15-1979.html

Caloi 10 Sportíssima - 1976:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2012/05/bicicleta-antiga-caloi-10-sportissima.html

Caloi 10 dourada:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2012/06/caloi-10-dourada-1978.html

A restauração da minha Caloi 10 - 1975:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2011/04/bicicleta-antiga-caloi-10-1975.html

Caloi 10 original da caixa:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2012/02/bicicleta-antiga-caloi-10-19-que-ano.html

Caloi Ceci:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2011/12/caloi-ceci-bicicleta-antiga.html

Caloi Ceci - restauração:
http://viagensdepaulopom.blogspot.com.br/2012/07/caloi-ceci-uma-historia-de-amor-e.html