Bem-vindo viajantes

Bem-vindo viajantes! Esse blog tem como objetivo tornar público algumas questões, reflexões e vivências que tenho tido, daí o nome "Viagens de Paulo Pom". As postagens e discussões desse espaço envolverão os seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, ciclismo e cicloturismo, montanhismo e vivência ao ar livre. Mas viagens por outros mundos também serão feitas...

sexta-feira, 29 de março de 2013

CICLOVIAGEM LAGAMAR - Introdução

A natureza exuberante do Lagamar.
No final de maio/2012, a convite da operadora Expedição & Aventura, tive o privilégio de pedalar durante quatro dias pelas praias desertas do Lagamar, rodeado de restingas, manguezais, ilhas, morros isolados, vegetação nativa e um mar pulsante. 

Por isso, o blog Viagens de Paulo Pom vai contar a história dessa cicloviagem nos próximos meses, em 5 ou 6 capítulos. Espero que apreciem.

INTRODUÇÃO: O LAGAMAR

Espremida entre o movimentado porto paranaense de Paranaguá e as cobiçadas praias do sul do estado de São Paulo, o Complexo Estuarino-Lagunar, ou simplesmente Lagamar, é uma faixa de 200 km de extensão e com área de 6.000 quilômetros quadrados, situada entre os municípios de Iguape/SP e Paranaguá/PR.

O mapa da viagem pelo Lagamar
Fonte: revista Aventura & Ação nº 171, p. 71
O ecossistema exuberante da região, com uma vasta mata verdejante recortada por rios e braços de mar, está protegido por um mosaico de unidades de conservação, como o Parque Estadual (SP) da Ilha do Cardoso (constituído em 1962), o Parque Nacional de Superagui (criado em 1989, formado pela ilhas de Superagui, das Peças, Pinheiro, Pinheirinho, além do vale do Rio dos Patos e o Canal do Varadouro) e o Parque Estadual e a Estação Ecológica Ilha do Mel, esses dois últimos no Paraná.

Pedalando pela Ilha do Cardoso: praia deserta
Vivenciar essa fabulosa riqueza natural a bordo de uma bicicleta é a certeza viver experiências únicas e transcendentes. E foi com essa expectativa que eu e o fotógrafo Kauan Lima aceitamos, em maio de 2012, o convite feito por Sandro Ribas e João Gabriel, ambos da operadora Expedição & Aventura, para uma cicloviagem de quatro dias pelo Lagamar.

Da esquerda para direita: Sandro, Kauan, João e eu,
alegres depois de um dia de pedal pela Ilha do Cardoso

Acompanhem no próximo capítulo:

- o planejamento da viagem, a cidade de Cananeia-SP e a travessia para o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP).

Quem leva:  


 Expedição & Aventura

Visa integrar práticas esportivas para iniciantes ou mesmo para aventureiros mais experientes, promovendo passeios ou expedições de caiaque e bicicleta em diferentes roteiros. Trabalha com grupos pequenos de 4 a 12 pessoas e organiza viagens durante o ano inteiro. Ideal para quem está começando e não quer se preocupar com agendamentos e infraestrutura.



NOVA IORQUE VIA BICICLETA

Nova Iorque é lembrada pelos  arranha-céus, pela beleza de seus parques urbanos, pelo seu antigo e eficiente metrô, pelo seu apelido de "Big Apple", por ser um grande centro econômico e cultural, pelos seus museus, sua arquitetura, enfim, pela sua grandeza - é a terceira maior cidade das Américas.

Empire State - foto Elaine Cristina Cunha
A capital do mundo, como é chamada, também possui uma ampla rede de caminhos para ciclistas. O mapa abaixo mostra uma parte da ilha de Manhattan e suas rotas de bicicletas - os traçados verde, laranja e vermelho:


Essa rede não se limita apenas a Manhattan, mas está espalhada por toda cidade. Além de extensa, os caminhos cicloviários são compostos por 3 variações:

1) Ciclovias isoladas do tráfego de veículos:

2) Ciclovias exclusivas ao 
lado de vias de carros e ônibus:

3) Caminhos compartilhados com veículos, o que chamamos em S. Paulo de ciclo rotas: 

Nova Iorque é algo muito longe da realidade das grandes cidades brasileiras...

Manhattan - foto Elaine Cristina Cunha
.... vejam, por exemplo, a Ponte do Brooklyn, inaugurada em 1883, uma das mais antigas pontes de suspensão do mundo, com mais de 1.800 metros de comprimento, que liga Manhattan ao bairro do Brooklyn:

New York and Brooklyn Bridge - foto Elaine Cristina Cunha
Além de ser destinada a carros, a ponte também serve para as pessoas que andam a pé ou de bicicleta, confiram:

foto Elaine Cristina Cunha

foto Elaine Cristina Cunha

foto Elaine Cristina Cunha
É admirável ver uma cidade grande e movimentada como Nova Iorque, proporcionando condições básicas de segurança para que seus habitantes possam usar a bicicleta como meio de transporte.

Estátua da Liberdade, símbolo de Nova Iorque
Foto Elaine Cristina Cunha
Enquanto isso, na nossa triste cidade de São Paulo, inaugurou-se, em 2008, a ponte estaiada Otávio Frias de Oliveira, sobre o rio Pinheiros (foto abaixo):

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/
File:Octavio_Frias_de_Oliveira_Bridge.jpg?uselang=pt
A ponte paulistana, nem de longe, pode ser comparada à novaiorquina, mas um detalhe chama atenção: o tráfego de bicicletas e pessoas é proibido na ponte Otávio Frias de Oliveira, como mostra muito bem o site Vá de Bike.


Na triste São Paulo, as duas placas acima representadas estão fixadas logo no início da ponte estaiada, entregue com pompas em 2008 (ver foto no Vá de Bike). Enquanto que, em Nova Iorque, cuidaram para que uma ponte antiga, inaugurada em 1883, tivesse passagem segura para ciclistas e pessoas.

É como me disse um primo meu há muito anos atrás: "São Paulo precisa comer muito arroz e feijão para chegar perto de Nova Iorque".

Em termos de política pública para o trânsito de bicicletas, haja arroz e feijão para S. Paulo.

Agradecimentos: obrigado a minha irmã, Elaine Cristina, que em sua breve passagem por Nova Iorque se preocupou em fotografar cenas de bicicletas.

domingo, 24 de março de 2013

ALEMÃ DURKOPP DIANA 1923 (BICICLETA ANTIGA)

Hoje apresento uma raridade, uma bicicleta antiga alemã DURKOPP DIANA, 1923, pertencente ao Marcio Cruz, de Divinópolis/MG.



Segundo Márcio, a DURKOPP DIANA é o símbolo das mais lindas bicicletas alemãs pré-guerra. Observem abaixo o  logo estampado em alto relevo no próprio quadro:


A coroa da DURKOPP DIANA é grande e repleta de detalhes:


Márcio disse que o freio dianteiro é conhecido como "limpa neve". O para-lama dianteiro acaba logo no garfo, como se vê na foto abaixo, que mostra ainda esse curioso freio "limpa neve":


Abaixo, o detalhe do garfo, todo trabalhado:


Márcio explicou que o guidom é conhecido como "guidom mocho", virado para baixo, com um sistema de trava de direção e regulagens para mais leve ou mais firme (fotos abaixo). Observem também a manopla de madeira e o manete do freio varão:



Talvez a peça que mais chama atenção nessa belíssima bicicleta seja o farol à vela de parafina. Na foto acima é possível perceber o perfil dessa peça preciosa, onde se vê buracos provavelmente para saída da fumaça e uma espécie de chapeuzinho. Vejam ainda as fotos abaixo:




Realmente algo extremamente raro. Outras peças impressionam não só pela raridade, mas também pelo seu estado de conservação, como o selim de couro:


Márcio afirmou que a bicicleta foi comprada na Áustria e está com a pintura original, sendo que assim a manterá.


Agradeço muito ao Márcio Cruz que voluntariamente me enviou um e-mail com fotos e informações para compartilhar com todos os leitores desse blog sua belíssima DURKOPP DIANA, 1923.