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17 de nov de 2012

MAIS CARROS: MAIS POLUIÇÃO, MAIS ATRASOS, MAIS CAOS.

Interessante matéria do jornal "Diário de S. Paulo" (23/fev./2012, p. 3) apontou que boa parte dos automóveis na cidade de S. Paulo continuam poluindo mesmo após sua aposentadoria. 

Isso porque nem metade dos carros abandonados pelas ruas é recolhida.

Foto publicada no Diário de S. Paulo, de 23/fev.2012, p. 3,
atribuída a Edilson Dantas/Diário SP
Os números da frota de automóveis na cidade de S. Paulo impressionam:

7 MILHÕES DE VEÍCULOS
(exatos 7.222.769 até mar/2012)

1.000 CARROS NOVOS EMPLACADOS POR DIA


Segundo o jornal, se todos os carros paulistanos fossem enfileirados, daria para traçar uma reta de 40 mil km, o suficiente para dar a volta ao planeta. 


O jornal "O Estado de S. Paulo" (21/mar/2012, p. C3, matéria de Rodrigo Brancatelli) citou uma  pesquisa feita pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), que aponta uma consequência dessa frota absurda: cerca de 25% (1/4) de toda a área construída no município de São Paulo é usadas para garagens.



O jornal "Folha de S. Paulo" (12/ago./2012, reportagem de Vanessa Correa) divulgou números ainda mais impressionantes: em horários de pico, automóveis particulares na cidade de SP tomam quase todo o espaço público das ruas, sem transportar 1/3 dos paulistanos que se deslocam sobre rodas. Veja só:

- 78% das principais vias são preenchidas por automóveis, que transportam só 28% das pessoas que se deslocam sobre rodas;

- 8% das principais vias são preenchidas por ônibus de linhas e fretados, que levam 68% das pessoas que se deslocam sobre rodas. 

Infelizmente, esses dois tipos de veículos disputam, quase sempre, o mesmo espaço.

O quadro abaixo, publicado na matéria da Folha, traz um retrato do trânsito de SP no horário de pico (clique no quadro para ampliar):
Média da contagem de circulação ao longo 
de uma extensão de 255 km e 32 rotas principais da cidade 
(em algumas, corredores de ônibus). Depois, 
os veículos foram dispostos de acordo com o padrão 
dos engenheiros de trânsito (1 ônibus = 2 carros = 4 motos).
(Editoria de Arte/Folhapress)


Além da baixa velocidade e da lotação exagerada nos ônibus, existe outro problema que foi apontado por Thiago Guimarães, especialista em mobilidade e professor da Universidade Técnica de Hamburgo (Alemanha), citado pela Folha: "São Paulo tem classes média e alta elitizadas que acham que ônibus não é para elas. Que é coisa de ralé".

Mas e a bicicleta nesse cenário? As matérias citadas nada mencionaram sobre a magrela, que também é "coisa de ralé", afinal já me perguntaram: "Paulo, você anda de bicicleta em SP porque não tem dinheiro para comprar um carro?" Eu nem respondi...

Foto publicada numa edição do jornal "O Estado de S. Paulo"
Agora vou mostrar dados que provam o descaso da gestão Kassab na Prefeitura de S. Paulo ao encarar a bicicleta como meio de transporte. Vejam na tabela abaixo o orçamento previsto de 2012 para algumas ações relacionadas à bicicleta e o que foi empenhado (valores em R$):

Data da última atualização: 12/11/2012
Orçado
Empenhado
Liquidado
Construção de Pista de Cooper. Caminhada e Ciclovia na Estrada Turística do Jaraguá
1.000,00
0,00
0,00
Implantação de Ciclovias e Ciclofaixas
3.000.000,00
600.000,00
516.889,16
  Implantação de Ciclovia na Av. Aricanduva. da Radial Leste à Av. Afonso Sampaio Vidal prosseguindo até a entrada do Pq. do Carmo
1.000,00
0,00
0,00
  Implantação de Ciclovias e Ciclofaixas
1.000.000,00
199.498,62
199.498,62
Projeto Passeio Ciclístico Mirna Leandro de Castro - a ser realizado no Cambuci
25.000,00
0,00
0,00

FONTE: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/planejamento/

Clique em ORÇAMENTO, depois SELECIONAR VARIÁVEL, depois em ANO, selecione 2012; em ORGÃO, selecione TODOS; procure PROJETO/ATIVIDADE e selecione TODOS e finalmente CONSULTAR ou GERAR TABELA..


Vejam que NADA foi empenhado para os projetos de ciclovias na Estrada Turística do Pq. do Jaraguá e na Av. Aricanduva, apesar de R$ 1.000,00, na minha visão, serem insuficientes. 

NADA para um simples passeio ciclístico no bairro do Cambuci, apesar de haver um orçamento de R$ 25.000,00.

Nos projetos gerais de implantação de ciclovias/ciclofaixas (R$ 3 milhões para um projeto e R$ 1 milhão para outro), empenhou-se muito menos do previsto. E o empenhado parece que só foi para ciclofaixas de lazer, que não prestam para meio de transporte.



É para lamentar e protestar? Sim. Mas eu não fico admirado com isso, afinal essa gestão da prefeitura sempre foi elitista. Felizmente está indo embora. Esperamos novos horizontes a partir de 2013.



Fontes:
- "O Estado de S. Paulo", de 21/mar/2012, p. C3, de Rodrigo Brancatelli;
- Diário de S. Paulo", de 23/fev./2012, p. 3

2 comentários:

  1. Paulo, parabéns pela matéria.
    Brasil parece que anda mesmo na contramão quando o assunto é meio de transporte alternativo nos grandes centros urbanos. Chego a sonhar com ciclovias e estradas para bicicletas como ocorre em alguns países da Europa e Asia, exemplo: Alemanha, Holanda, França, Inglaterra e Pequin. Acredito também que seja um problema cultural do nosso país, é necessário que se quebrem alguns paradígmas e preconceitos contra o uso da bicicleta como um dos meios de locomoção não poluidora e que faz muito bem a saúde fisíca e mental da pessoa. Faltam também maior estímulo e divulgação dos benefícios de se pedalar na mídia brasileira. Aqui o que se vê é que passam a imagem de que é preciso possuir um automóvel para se ter o "poder, ser respeitado, transparecer-se mais viríl, ser o cara, etc e tals". É pelo visto há muuuiiita coisa a ser revista e mudada, e todo ciclista, pode dar a sua contribuição para que novas e melhores idéias surjam. Mãos a obra...
    Grande abraço.
    Rodrigo.

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    Respostas
    1. Grato Rodrigo pelo seu comentário e pela leitura do blog. Abraços. Paulo

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