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20 de fev de 2013

DE BICI PARA CIDADE UNIVERSITÁRIA

Entre os anos de 2010 e 2012, eu me locomovi da minha casa para a Cidade Universitária usando principalmente a bicicleta como meio de transporte.

Em 2011, eu morava ao lado da USP e daí era muito fácil o trajeto de bicicleta. Mas em 2010 e 2012, eu residia no bairro do Ipiranga e era  complicado pedalar até a Cidade Universitária, situada no Butantã, em razão do tráfego esquizofrênico de automóveis e ônibus.

Então a bicicleta dobrável foi a solução encontrada, pois me permitia chegar rapidamente ao metrô e, ao dobrá-la, era possível ingressar nos vagões, com exceção dos horários de pico, quando a superlotação  de pessoas não permite nem mesmo um alfinete a mais nos trens.

A foto abaixo mostra a minha dobrável carregada com meus apetrechos de trabalho e a Cidade Universitária ao fundo.

O caminho começava com um pedal rápido pela Av. Ricardo Jafet até o embarque na Estação Imigrantes, da linha verde do metrô. Em 2010, eu descia na Estação Vila Madalena e prosseguia pedalando até a Cidade Universitária. Mas com a inauguração da linha amarela, passei a desembarcar na Estação Butantã, de onde seguia de bicicleta por um curto percurso de ciclorrota e ciclovia até a USP, como resume o mapa abaixo.


Abaixo, o amanhecer e eu na bicicleta pela Av. Ricardo Jafet, às margens do córrego (esgoto) do Ipiranga...


... até chegar à Estação Imigrantes, do metrô:


Antes de entrar na estação, eu dobrava e encapava o meu veículo, pois dessa forma o metrô permite que se conduza bicicletas em qualquer horário.


Na foto abaixo, a bicicleta dobrada e embolsada, estrategicamente posicionada para embarque no primeiro vagão do metrô, onde costuma ser menos cheio:


Na saída da Estação Butantã, já começa a ciclorrota, como mostra a seta vermelha na foto (abaixo), que é um caminho indicado para bicicletas, normalmente sinalizado para indicar a presença e preferência de ciclistas, onde os veículos motorizados são obrigados a trafegar a 30 km/h.: 

A ciclorrota do Butantã passa por ruas tranquilas e bem arborizadas:
Certo dia, porém, percebi que uma grande árvore havia sido cortada. Por um tempo, fiquei olhando aquela brutalidade e imaginando se realmente havia a necessidade de matá-la. 
Pode não ser verdade, mas senti que aquela cena era o fruto de uma decisão equivocada de algum gestor público. Se tinha algum problema com aquela árvore, eu duvido que soluções buscando sua sobrevivência foram cogitadas. Além disso, não se plantou outra no lugar. Uma tristeza, um descaso...
A ciclorrota que se inicia na Estação Butantã termina numa curta ciclovia situada no canteiro central da Av. Afrânio Peixoto:



Certo dia, encontrei um caminhão quebrado e parado  justamente em cima da faixa vermelha destinada à travessia de ciclistas. Quando eu comecei a fazer fotos daquela cena, o motorista me perguntou se eu estava com algum problema, mas eu respondi secamente que "não" e continuei sacando as fotos. Ficou evidente para mim que se ele quisesse, poderia ter parado aquele caminhão em outro lugar:


Outra vez, encontrei a ciclovia parcialmente bloqueada pelos restos de uma poda realizada nas árvores do canteiro central. A Prefeitura da época (gestão Kassab) não se dignou em limpar a sujeira e deixou tudo jogado (esquerda).

A ciclofaixa termina abruptamente alguns metros do Portão 1 do campus (abaixo).
A seguir, com mais clareza, se vê o fim da ciclofaixa, o que obriga o ciclista a se misturar com carros e ônibus para ingressar no campus. Faltou vontade e ambição para fazer com que a via exclusiva chegasse efetivamente na entrada da Cidade Universitária.
Abaixo, o interior arborizado da Cidade Universitária. Ao contrário do que possa parecer, o trânsito de carros e ônibus é pesado em alguns horários e pontos do campus, por isso seria adequado a instalação de ciclovias aos alunos que se locomovem de bicicleta. Por algumas vezes, eu quase foi atropelado na avenida que começa no Portão 3.

Às vezes, eu estacionava minha dobrável no Centro de Práticas Esportivas (direita):

A Cidade Universitária é um ambiente repleto de cenas ciclísticas, como o sistema de empréstimo de Barra Forte aos alunos das moradias (abaixo), mas essa curiosidades estarão em uma postagem própria.



Ao lado, a fonte colorida dentro do campus. Nesses 3 anos, a bicicleta se pagou pelo fato de eu não precisar pegar ônibus para ir até as estações de metrô.

E para voltar para casa, eu fazia o caminho inverso. Quase sempre meu retorno era a noite, depois das 20:30hs, quando o metrô permite  bicicletas nos vagões sem a necessidade de dobrá-las (abaixo).

Voltando da USP, tarde da noite, sozinho com meus
pensamentos no vagão do metrô.
O meu mundo gira na passada dos pedais da minha bicicleta. Com ela, atravesso distâncias e vou para todos os cantos do planeta, carregando meus pertences e minhas esperanças. A bicicleta contribui na minha eterna busca pela maior de todas as riquezas: o saber.


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19 de fev de 2013

CALOI CECI FIORI EM CARROÇA (bicicleta antiga)

Hoje trago aos amigos a história dessa belíssima bicicleta CALOI CECI FIORI, do leitor Marcelo Gattaz.

As fotos abaixo mostram que  Marcelo possui um lindo  exemplar desse modelo e  bastante original.

Acima, percebe-se de cara o quadro com os decalques e a pintura muito provavelmente originais. Abaixo, o protetor de corrente, com os decalques floridos e a marca Ceci Fiori. O jeitão do pedal também sugere que é original. 




O selim com a marca Caloi (esq.). Abaixo, o detalhe do guidão e manete do freio, que também devem ser originais, porque a cor vermelha combina com os decalques do quadro.


Na foto abaixo, outro detalhe interessante que mostra a originalidade dessa bela bicicleta: a mesa com a marca Caloi:




A foto ao lado mostra o  tradicional decalque frontal das bicicletas Caloi, em bom estado de conservação. 




E abaixo, as peças dianteiras da bicicleta também indicam sua originalidade: aquela placa metálica acima do garfo, com a marca Caloi, o freio e os decalques floridos do garfo:



Gostou da bicicleta, não é? Só que o mais surpreendente é a forma que ela foi adquirida. 

O Marcelo aguardava para cortar o cabelo na Rua Martin Francisco, no bairro de Sta. Cecília, centro de S. Paulo/SP, quando se deparou com um carroceiro transitando pelo  asfalto. E no topo da carroça lá estava essa Caloi Ceci Fiori, toda amarrada.


Marcelo não resistiu e foi conversar com o carroceiro e descobriu que a bicicleta ia ser vendida como sucata.

Marcelo ofereceu R$ 20,00 pela bicicleta e o carroceiro imediatamente aceitou, talvez porque seu preço como sucata seria muito inferior. 

Agora, o seu novo proprietário pretende reformar essa Caloi Ceci e seu destino será Águas de São Pedro/SP, livre do triste fim que teria.

Marcelo é um cara de sorte e espero que ele possa compartilhar conosco as fotos de sua Caloi Ceci reformada.

Mais Caloi Ceci:

- antiga Caloi Ceci Bella na Cidade Universitáriaclique aqui

- Caloi Ceci: uma história de amor e restauração - clique aqui 

Observações:

- agradeço ao Marcelo Gattaz (marcelo.gattaz@gmail.com) pela contato, pela disponibilidade em colaborar com este blog e pelas belas fotos de sua preciosidade.

- Colaborações: este blog já tem mais de 5.000 acessos mensais e muito do seu conteúdo é alimentado com a colaboração de leitores. Assim, se você tem alguma foto ou história curiosa sobre bicicletas em geral, viagens de bicicleta, bicicletas antigas, algum fato interessante sobre meio ambiente na região em que mora e outros fatos correlatos, envie seu e-mail: paulorobertopom@gmail.com
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5 de fev de 2013

SÃO PAULO VIRA AS COSTAS PARA A MÃE NATUREZA

Ilustração publicada no Jornal do Advogado n. 370,
Ano XXXVII, março/2012
O descaso com que a cidade de São Paulo trata a Mãe Natureza é impressionante. Vejam alguns dados publicados em várias matérias do jornal "O Estado de S. Paulo" que eu colecionei:

- Avanço da mancha urbana: entre 1991 e 2000, a cidade perdeu 5.357 hectares de cobertura vegetal, igual a 34 Parques do Ibirapuera. E a cada 4 meses, quase 1 Parque do Ibirapuera de árvores é cortado. Só para se ter uma ideia, nos primeiros 4 meses de 2011, S. Paulo perdeu 12.187 árvores para dar lugar a prédios e obras de infraestrutura. E são cortes autorizados pela prefeitura! A compensação ambiental, consistente no plantio de mudas, é bem duvidosa e muitas vezes executada sem sucesso.

Menos 34 Ibirapueras em SP de 1991 para 2000

- Vegetação na cidade: 21% do território do município corresponde a vegetação, o que é bastante, mas a maior parte está situada nos extremos sul e norte. Em algumas regiões, como partes do centro, a área verde representa 0%, como mostra o mapa abaixo (clique nele para ampliar).

Área verde na cidade de SP em metros quadrados
(Fonte: O Estado de S. Paulo, 15/mai./2012,
p. C4, Athur Rodrigues e Juliana Deodoro)
Rios poluídos e degradados: os rios que cortam a cidade são canais de sujeira, veneno, mal cheiro e vergonha. Observem na foto abaixo, a confluência dos 2 principais rios paulistanos, o Tietê e o Pinheiros:


É possível notar zero de mata ciliar e muito cimento na borda desses pobres rios. Governos insistem em usar a margem do rio para tráfego de carros, como José Serra (PSDB), que gastou bilhões em dinheiro público para construir uma nova pista na marginal do Rio Tietê, ao invés de investir em transporte público. 

Essa obra foi muito contestada por ambientalistas, geógrafos e urbanistas, mas o então "Soberano" ignorou aqueles que estudam e tocou a obra. Com isso, mais espaços nas margens do Tietê foram impermeabilizados e o pior de tudo: jequitibás-rosa, ipês brancos e roxos, jatobás, paus-brasil, ingás e sibirunas que estavam ao longo dos 24 km da via, morreram no processo de retirada e replantio em 2010.

- Paulistanos Porcalhões: a responsabilidade pela degradação ambiental em que vivemos não é só do Poder Público. Os habitantes da cidade a destroem diariamente. Vejam abaixo a quantidade de pneus retirados de um trecho do Rio Tietê; quem jogou essas tralhas no rio?

Fonte: O Estado de S. Paulo, 5/abr./2012, 
p. C4, matéria de Athur Rodrigues)

- Degradação Ambiental e Pobreza: a cidade de S. Paulo  tem uma quantidade absurda de miseráveis. Como são seres excluídos pela sociedade, eles vivem em lugares igualmente excluídos, ignorados por boa parte dos paulistanos. Veja abaixo, o coitado do cidadão lavando suas parcas roupas num rio fétido e imundo em S. Paulo:

Foto publicada no Estado de S. Paulo, de 28 de outubro
de 2012, p. C2, atribuída a Tiago Queiroz/Estadão

- Conclusão: poderíamos falar muito mais sobre a degradação ambiental de S. Paulo, até porque nem mencionamos a poluição do ar. A tão propalada maior cidade do continente, centro econômico, cultural e financeiro do país e da América do Sul, não passa de uma porcaria em termos ambientais. Tanto dinheiro, tanta cultura e tanta grandeza e não somos capazes de ter dignidade nessa cidade. O paulistano esbanja em falsa soberba, até porque os valores da sociedade capitalista são deturpados. 


Fontes:
Dados extraídos das seguintes matérias do jornal "O Estado de São Paulo":
- p. C6, de 26/mar/2012, reportagem de Rodrigo Burgarelli e Camila Brunelli;
p. C4, de 29/mai/2011, reportagem de Rodrigo Burgarelli e Diego Zanchetta;
p. C2, de 28/out/2012. 

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